quarta-feira, 7 de maio de 2008

Publicar (na rede) ajuda a ensinar e a aprender


Professores apostam no potencial pedagógico dos blogs para incentivar o hábito de escrever, o debate e o senso crítico
Leandro Quintanilha Revista
A Rede
Em Blogsfera Marli. professora, reúne os links de sete edublogsque mantém com alunosFotos: ReproduçãoOs blogs surgiram nos anos 90 como um ícone da liberdade de expressão na Internet. Hoje, essas páginas de livre publicação contam com cerca de 48 milhões de adeptos – e ainda mais prestígio. É que, além de serem fáceis de usar e democráticos por natureza, os blogs se revelam, agora, promissores aliados virtuais dos professores. Na era da inclusão digital, os edublogs representam uma espécie de vanguarda teórico-pedagógica, adaptável a qualquer disciplina, nos diversos níveis de ensino, em todas as camadas sociais.
Para a acadêmica Zilá Moura e Silva, doutora em Didática pela USP, o fenômeno tem feito com que alunos e professores escrevam mais e melhor. “As propostas tradicionais de escrita na escola são muito artificiais. Em geral, as pessoas têm dificuldade em discorrer de forma mais aprofundada sobre um tema”, avalia. Isso ocorre, segundo Zilá, porque os alunos não são estimulados a escrever com envolvimento. Com a possibilidade de publicação, o entusiasmo e o empenho são maiores. E a prática gera uma familiaridade progressiva com a escrita: quanto mais se produz, mais se deseja fazê-lo. “Autoria gera auto-estima”, observa.
A professora de Língua Portuguesa Marli Fiorentin concorda: “Os alunos ficam entusiasmados ao perceber que suas idéias têm valor”. Ela dá aulas para o Ensino Fundamental na Escola Estadual Padre Colbachini, em Nova Bassano, cidade com cerca de 10 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul. Descobriu a blogosfera no começo do ano passado e já mantém sete edublogs. “Com as páginas na Internet, os alunos ficam mais motivados a ler e escrever.”
Blog
Contos da Escola: estudantes de Letras colocam a educação em debateO cuidado com o texto também é maior “em relação à forma e ao conteúdo”, afirma Raquel da Cunha Recuero, professora dos cursos de Comunicação da Universidade Católica de Pelotas e doutoranda em Informação e Comunicação. Para ela, esses espaços-autoria são um antídoto para a chamada geração Ctrl C + Ctrl V (atalhos do teclado usados para copiar e colar textos). “O aluno passa a apurar melhor as informações disponíveis na Internet, para construir textos de qualidade”, observa a professora. Escrever seus próprios textos e ler a produção dos colegas são hábitos, afirma, que geram um ciclo positivo. “Ao tentar se superar, eles aprimoram o senso crítico”, diz.
A vida como ela é
Os edublogs favorecem o trabalho em equipe e a construção colaborativa do conhecimento, afirma Sônia Bertocchi, pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, de São Paulo, e coordenadora do Núcleo de Interatividade do portal EducaRede. Sônia é a criadora do
Lousa Digital, um blog de discussões sobre o uso pedagógico da Internet. “Procuro auxiliar o professor na sua prática diária: indicar novos recursos, apresentar projetos bem-sucedidos e promover a interação entre educadores geograficamente distantes, além de divulgar eventos relacionados”, descreve.
Trabalho semelhante é realizado por uma professora em formação, a redatora e estudante de licenciatura em Letras Débora Batello, criadora do
Contos da Escola. “Educação não é só lousa e giz. O professor tem que encontrar meios para estimular os alunos”, afirma. O público-alvo de seu blog são professores e aspirantes à carreira. Os temas propostos vão além da relação entre Educação e tecnologia. Polêmicas como sistemas alternativos de avaliação e a política de cotas para negros e estudantes de escolas públicas nas universidades são alguns dos assuntos abordados. Nos comentários, os leitores desenvolvem o debate.
A palavra weblog é uma junção dos vocábulos do inglês web (originalmente, teia; mas hoje também com a acepção de página da internet) com log (diário de bordo). Tradução literal: diário na rede. O blogs, como são hoje chamados, surgiram na década de 90 e, atualmente, o número de adeptos aumenta num ritmo avassalador. O site Technorati, que mantém sistema de busca específico para blogs, estima haver cerca de 48 milhões dessas páginas em funcionamento. Mas, no momento em que você lê esta reportagem, esse número já deve estar defasado – a cada dia, são criados mais de 75 mil novos blogs, segundo o instituto de pesquisa em tecnologia norte-americano Pew Internet. Cerca de 11% dos usuários de internet do mundo são leitores habituais de blogs. Estima-se que sejam publicados 1,2 milhão de novos textos, por dia, o que equivale a 50 mil atualizações por hora.
www.pewinternet.org – Pew Internetwww.technirati.com – Technirati A professora Marli, de Nova Bassano, criou seu primeiro blog pedagógico no ano passado, para uma turma de 8ª série: Vidas Secas – Da Ficção à Realidade, inspirado na célebre obra de Graciliano Ramos. “A idéia surgiu porque estávamos sofrendo com uma estiagem muito longa, aqui na região, que nos afetou financeira e emocionalmente”, conta ela. Os alunos analisaram o livro e pesquisaram sobre o contexto histórico em que foi escrito.
Na seqüência, Marli convidou alguns escritores profissionais para colaborar com o edublog, como o mineiro Wellington Pino e os gaúchos Caio Riter e Marcelo Spalding. Em um ano, a professora criou mais seis edublogs. E um sétimo, o Blogosfera M@rli, reúne todos os links. Vários do alunos mantêm, hoje, blogs pessoais.
O trabalho da professora Zilá com meios de publicação na internet começou há dez anos – antes da “febre” dos blogs. Na Unesp de Bauru, ela participou da criação do site Universidade sem Fronteiras, que não era exatamente um blog, mas reproduzia o conceito de autoria-publicação ao colocar na rede os trabalhos de conclusão de curso.
Era só o começo. No correr dos anos, Zilá começou a adotar blogs propriamente ditos no curso de formação de professores da Faculdade Sumaré, em São Paulo, e no de gestores escolares da Uirapuru Superior, de Sorocaba. “Comecei com provocações”, lembra. Ela criava um blog para a turma no qual propunha problemas a resolver e discussões sobre assuntos polêmicos. Deu certo. Com o tempo, os educadores passaram a criar seus próprios diários virtuais, repassando o gosto da publicação para seus alunos. Tal como aconteceu com Marli.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

TECNOLOGIAS/ INTERNET - SOLUÇÕES APROVADAS

Tecnologia Internet
Soluções aprovadas


Mesmo sem computadores na escola, professores incluem a informática no planejamento, favorecendo o ensino e a aprendizagem
Autor('Gisela Blanco','','')




A maioria das escolas brasileiras não está informatizada, e vai demorar até que todas tenham laboratórios com equipamentos conectados à internet. As tentativas de prover as instituições com recursos tecnológicos são muitas, mas as questões envolvendo licitações e liberação de recursos do Estado tendem a demorar para se concretizar. Alguns professores usam essa realidade para justificar o fato de não prever o uso da tecnologia no planejamento. Outros arregaçam as mangas, procuram conhecer as ferramentas disponíveis e as utilizam em favor do ensino e da aprendizagem.
Bárbara Dieu, uma das pioneiras no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) no Brasil e dona de cinco prêmios internacionais, como o Global SchoolNet de 2003, afirma: “Para aprender a utilizar os recursos, basta buscar informações, perguntar a quem sabe e insistir em aprender”. Nesta reportagem, você vai conhecer a história de cinco educadores que, sozinhos ou com a ajuda de amigos, encontraram soluções na própria rede mundial de computadores e fizeram uma revolução na vida dos jovens em lugares onde micros ainda são raridade.
Edson Ruiz[img1]
FORA DA ESCOLA - Mônica, de Salvadorm, sugere aos alunos que não têm internet que pesquisem em lan-house
Online na lan-house As maneiras de resolver o problema da falta de recursos são bem criativas. Mônica Sepúlveda Fonseca, professora de História do CE Monsenhor Manuel Barbosa, em Salvador, conseguiu que suas turmas de 5ª e 6ª séries pesquisassem sobre a cultura baiana e publicassem os resultados em um site, mesmo com os oito computadores da escola sem acesso à rede (o modem aparelho que permite a conexão já foi solicitado à Secretaria de Educação do Estado). "A garotada topou freqüentar uma lan-house próxima à escola", conta Mônica, que dava orientações em classe e, no contraturno, monitorava os trabalhos online. "Os meninos aprenderam que pesquisa é mais que imprimir textos", conta, orgulhosa.
Bárbara Dieu
Foto: Emilia Brandão
[img4]

Como foi o início na tecnologia?
Comecei a usar o micro para enviar e-mails. Navegando, fucei muito nos programas e busquei ajuda em listas e fóruns. Depois passei a montar e alimentar sites e blogs, gravar podcasts e participar de redes sociais.
O que é preciso para usar a informática na Educação?
Ter persistência e aproveitar tudo que as instituições oferecem. O acesso à internet está cada vez mais fácil, e existem muitas ferramentas gratuitas.
Como se perde o medo de tecnologia?
Só o uso diário derruba esse temor. Para quem está começando, recomendo participar de programas estruturados para iniciantes.
E quando a escola não incentiva o uso do computador?
É preciso apresentar um projeto e levar exemplos de experiências de sucesso. É assim que se ganha a confiança da direção, para depois ousar.
Quais são seus projetos atuais?
Abasteço o wikieducator.org, site que disponibiliza livros de direitos autorais livres, e coordeno o sistema de blogs Dekita, que coloca em contato alunos do mundo inteiro.
Já o professor de Ciências Ivan Tavares Scotelari de Souza, de São José do Rio Preto, a 440 quilômetros de São Paulo, conseguiu simular a navegação na internet em classe assim que a EE Celso Abade Mourão ganhou micros, em 1998. Ele se esforçou para aprender a usar as máquinas, pois tinha certeza de que a novidade seria importante em sala de aula: "Um dia, sem querer, cliquei com o botão direito do mouse em um site e descobri como gravar conteúdos offline. Salvei as páginas num disquete, que levei para a sala de aula, mostrando às crianças como surfar na rede mundial", relembra Scotelari. Hoje ele utiliza animações em flash, formulários de provas online e jogos virtuais, tudo de sua autoria.
Informatização no fim do túnel
O Ministério da Educação prometeu investir neste ano 400 milhões de reais em programas de inclusão digital. “Em 2008, devemos implantar 25 mil laboratórios de informática”, promete o secretário de Educação a Distância, Carlos Eduardo Bielschowsky, responsável pelo Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo). A meta é que as 55 mil escolas com pelo menos 50 alunos (80% do total) tenham máquinas conectadas à internet de banda larga até 2010. Já o programa Um Computador por Aluno, que distribuiria laptops de baixo custo, está parado. A aquisição das máquinas foi cancelada em fevereiro, e não há data marcada para nova concorrência.
Começo com e-mails Diferentemente da experiência do professor paulista, a de Almerinda Borges Garibaldi envolveu formação. Ela fez um curso na organização não-governamental Partners of America e percebeu o potencial do mundo virtual. Mas no Centro Interescolar de Línguas de Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal, onde leciona Inglês, existem três computadores para 4 200 alunos e a conexão de internet passa longos períodos fora de serviço. Para iniciar um trabalho interativo, ela aprendeu a usar navegadores e e-mails. Encontrou os projetos didáticos no site Iearn.org. A proposta de trabalho é simples: basta escolher uma atividade, realizá-la em classe e enviar o resultado para a página, na qual educadores e estudantes de outros países podem fazer comentários, sempre em inglês. Os garotos começaram a compreender a dimensão do mundo, afirma Almerinda, que digita em casa a produção textual realizada em sala de aula e a publica na rede. O entusiasmo dela envolveu colegas como Isabel Teixeira, que já utilizou o computador de uma aluna para participar do programa. Hoje ela forma grupos na sala de aula em que o coordenador, com micro em casa, se responsabiliza por digitar e publicar os escritos dos membros da equipe. Neste ano, a professora viajará ao Japão com dois estudantes a convite do Iearn.org. Eles vão elaborar, junto com jovens de outros países, um documento em inglês para os representantes do G8 - grupo que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia - sobre a preocupação com os problemas ambientais e sugerindo soluções para eles.
Daniel Madsen[img2]
EM CASA - Usando seu próprio laptop, Almerinda, de Brasília, publica os textos dos alunos
Nas ondas da web Nas escolas de Planaltina, também na periferia de Brasília, o aparelho de som e os alto-falantes eram usados pela garotada para ouvir música na hora do recreio. Até que um grupo de professores da região, com o apoio da rádio Utopia e da Universidade de Brasília (UnB), criou o programa Diversidade. No ano passado, seis unidades aderiram ao projeto, entre elas o CEF 04. Lá a professora de Arte Rejane Araújo de Oliveira envolveu 40 estudantes de 6ª a 8ª séries para produzir um programa de rádio ao vivo que era transmitido apenas por ondas de FM. Somente quem morasse num raio de 1 quilômetro da escola poderia ouvir a transmissão não fosse a parceria com o site Dissonante, criado por ex-alunos da UnB, que disponibiliza gratuitamente um servidor para a criação de rádios virtuais e ensina como usá-lo. "Para muitos jovens, o computador da rádio é o único com o qual têm contato", revela a professora. Os assuntos tratados no programa são os mesmos trabalhados em sala. "Como eles sabem que existem ouvintes, sentem-se motivados a pesquisar e produzir conteúdos de qualidade."

Daniel Madsen[img3]
DO ESTÚDIO - O programa de rádio feito com orientação de Rejane, de Brasília, vai ao ar pela Legenda da foto

Quer saber mais?
Contatos
Bárbara Dieu, beeonline@gmail.com
CE Monsenhor Manoel Barbosa, Conj. Guilherme Marback, s/n°, Quadra 1, 41710-050, Salvador, BA, tel. (71) 3371-2012
CEF 04, Setor Educacional, Lote D, 73310-100, Planaltina, DF, tel. (61) 3901-4543
Centro interescolar de Línguas de Taguatinga, QSB 02/03, A/E 3/4, 72015-520, Taguatinga Sul, DF, tel. (61) 3901-6771
EE Celso Abade Mourão, R. Jesus Cristo, 1041, 15044-545, São José do Rio Preto, SP, tel. (17) 3236-3789

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Blog: diário virtual que pode ser usado na escola
Sônia Bertocchi



Blog, abreviação da expressão inglesa weblog, é um diário virtual. Muitos são pessoais, intimistas, veiculam idéias ou sentimentos do autor. Alguns são voltados para diversão e outros, utilizados em situação de trabalho; há também aqueles que misturam tudo. Mas, em geral, enfocam um tópico ou área de interesse para quem os escreve. São atualizados com regularidade, da mesma forma que se faz, ou fazia, com os diários de papel. Começaram a aparecer no final dos nos anos 1990. Até 1999, para se criar um blog, eram necessários conhecimentos de HTML, mas a partir daí apareceram serviços gratuitos para a publicação desses ciberdiários. Um dos mais conhecidos e utilizados no mundo todo é o Blogger * que conta com mais de um milhão de usuários cadastrados.A questão que se coloca é: como, nós, educadores, podemos usar esse novo suporte de informação para alcançar nossos objetivos dentro de um processo de aprendizagem?
Esses diários eletrônicos são uma ferramenta diferente, com potencial para reinventar nosso trabalho pedagógico e envolver muito mais nossos alunos. Têm grande poder de comunicação: oferecem espaços de diálogo onde os alunos são escritores, leitores, pensadores. Blogs ajudam a construir redes sociais e redes de saberes.No artigo
Uso Pedagógico de Ferramentas e Serviços Digitais Gratuitos Disponíveis na Web, Vera C. Queiroz e Pollyana Notargiacomo Mustaro** afirmam:
“Uma das principais características do Blog é que estes pequenos textos, nele apresentados, podem ser lidos e comentados pelas pessoas que tenham acesso ao mesmo. Os Blogs podem ser utilizados no contexto educacional (em instituições acadêmicas ou empresariais) para várias finalidades. Dentre elas é possível destacar os trabalhos em equipe, anotações de aula, discussão e elaboração de projetos acompanhados ou não de imagens. Estas possibilidades, além da facilidade de utilização, organização de conteúdos e comentários, ampliam as possibilidades de complementar as aulas dos professores de forma inovadora e atraente.”
Além de todas essas vantagens, criar um blog é um exercício muito fácil e simples. Não exige um conhecimento profundo de informática, nem instalação de programas para a publicação e atualização. Uma boa opção para professores e alunos obterem informações de como criar seu blog é o site
Weblogger que oferece serviço gratuito e em português. Bom trabalho a todos e encontro vocês na blogosfera!
Conheçam alguns blogs interessantes:
Aulablog21 - Blog para discutir a Tecnologia Digital em aula e algumas coisinhas mais... (em espanhol)
Por um punhado de pixels - Considerado o primeiro blog brasileiro (1998).
E Cuaderno - Mantido pelo professor José Luis Orihuela, traz dicas, notícias, links sobre cibercultura, mídias, comunicação e blogs de vários países (em espanhol).
(*) No Brasil, o Blogger gratuito é disponível apenas em inglês. (**) Vera Queiroz é doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo e Consultora em EAD; Pollyana Notargiacomo Mustaro é doutora em Educação.
Participe do Fórum: Blog e Educação. Os sites indicados neste texto foram visitados em 01/09/2004
Conheça outros blogs educacionais


zaptlogs - blog colaborativo usado justamente numa pesquisa sobre o uso de blogs como ambiente de aprendizagem.»
Gutierrez/su - blog que registra projetos e monitora a blogosfera.»
Vamos Blogar? - blog colaborativo de educadores sobre temas relativos ao uso das TIC em educação»
Prática Educativa em Medicina - blog usado por professores\médicos na Faculdade de Medicina da UFRGS»
Tridisciplina - blog colaborativo de uma interdisciplina do curso de Pedagogia da UFRGS» Relendo Clássicos - blog colaborativo de uma disciplina da Pós-graduação em Educação da UFRGS»
Projetos Colaborativos - blog com relatos sobre projetos envolvendo o uso das TIC em educação» Relatos de Experiência - blog com relatos de experiência de educadores»
Vivência Pedagógica - um portal sobre o uso das TIC em educação que agrega inúmeros blogs» Bee - blog da Prof Barbara Dieu»
Ciberfilosofia - da Faculdade Comunicação da UFBA»
Profª Viviane Camozzato Outros pesquisadores que estudam blogs, mas não especificamente edublogs:
BLOGS NA SALA DE AULA

Cresce o uso pedagógico da ferramenta de publicação de textos na internet





Por Priscilla Brossi GutierreSinpro SP
Reprodução da home do blog
Curiosidades da História, vencedor na categoria "escola" Contar os “causos” e fatos interessantes da história rendeu à Escola EB 2,3 D. Pedro IV, em Portugal, um prêmio até então inédito. Curiosidades da História foi considerado o melhor blog feito por uma escola na primeira edição do Blopes, premiação dos melhores blogs em Português e Espanhol na área de Educação. Além dele, Outro Olhar, também de Portugal, venceu como melhor blog feito por um professor. Na categoria, "Melhor Blogue, Serviço ou Programa ao Serviço da Educação", o vencedor foi o Netescrita. Mais importante do que o resultado em si, o prêmio colocou em debate o uso de blogs para fins educativos. Estudos e pesquisas vêm mapeando esse processo e dão conta da elevação do número de diferentes tipos de experiências.
Blog, abreviatura do termo em inglês weblogs, tem como características a facilidade em que pode ser criado, editado e publicado. Em geral, expressa relatos pessoais, idéias e sentimentos do autor, sobre os mais diversos assuntos e áreas. O uso para fins pedagógicos, no entanto, começou a ganhar destaque na blogosfera anglo-saxônica, como aponta a pesquisadora Tiscar Lara, em artigo para a revista eletrônica espanhola
Telos. Ela cita o portal americano Education Bloggers Network como uma das experiências pioneiras.
Reprodução da home do blog
Gutierrez/Su Hoje, o crescimento no uso dessa ferramenta é significativo em vários Países. No Brasil, a situação não é diferente, mas talvez num ritmo menos acelerado. “O uso pedagógico do blog evoluiu de algumas iniciativas isoladas para um crescimento constante e significativo no País, nestes dois últimos anos. Ainda assim, é pequeno o número de escolas e professores que utiliza blogs”, constata Suzana Gutierrez, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que mantém o Gutierrez/Su, registrando projetos e experiências. Seu blog foi um dos indicados do Blopes 2005 como “melhor serviço ou programa ao serviço da Educação”.
Contribuições para o ensino e aprendizagem
A possibilidade da criação coletiva e a aproximação de alunos e professores são apontadas como as principais contribuições que os blogs podem trazer para o processo de ensino e aprendizagem. “São aplicativos fáceis de usar que promovem o exercício da expressão criadora, do diálogo entre textos, da colaboração”, explica Suzana Gutierrez, da UFRGS. “Blogs possuem historicidade, preservam a construção e não apenas o produto (arquivos); são publicações dinâmicas que favorecem a formação de redes”, completa.
Reprodução do blog
Lousa DigitalSônia Bertocchi, pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC) e coordenadora do Núcleo de Interatividade do Portal EducaRede, explica que os blogs permitem o desenvolvimento de tarefas em equipe. “O trabalho pedagógico com a ferramenta privilegia interatividade, autoria, autonomia, registro e protagonismo”, completa a pesquisadora que mantém o Lousa Digital, espaço de reflexão coletiva sobre o uso pedagógico da Internet, também entre os indicados ao Blopes.
Vidas Secas – da ficção à realidade é uma experiência bem-sucedida desse processo. Desenvolvido no Colégio Pe. Colbachini sob coordenação da professora de Português Marli Fiorentin, o blog fez uma ponte entre a seca que atingiu o Rio Grande do Sul, a realidade nordestina e a ficção, através de obras literárias como o livro Vidas Secas. Os textos, ora escritos pela professora, ora escritos pelos alunos, receberam comentários e tornaram-se, portanto, obra coletiva, como resultado direto da troca de experiências. O projeto ficou em 4º lugar no Blopes na categoria “Escola”.
Debate intenso
Se, em números, as experiências com blogs educacionais ainda não são tão expressivas, a discussão em torno deles é intensa na blogosfera brasileira. Um rápido passeio pela web mostra isso. Em
Relatos de Experiências, o visitante acompanha projetos realizados em escolas públicas que usam tecnologias. Projetos Colaborativos traz, além e relatos, notícias e dicas para os educadores e interessados. Oficina de Educação dá sugestões de sites e blogs que podem ajudar o trabalho do professor. Aprendente coloca em debate o uso de blogs na Educação. E esses são apenas alguns exemplos. O debate parece estar apenas começando.
Sala de informática boa é sala de informática aberta
Secretária de Estado da Educação de São Paulo admite que as salas não funcionam e anuncia medidas


José Alves
A grande maioria dos cinco milhões de alunos da rede estadual de São Paulo não tem acesso aos computadores da escola. O motivo: falta de manutenção. A informação é da própria secretária de Estado, Maria Helena Guimarães de Castro, para quem o principal desafio hoje, neste assunto, é garantir o funcionamento dos equipamentos que já existem, uma vez que 80% das escolas de São Paulo possuem sala de informática com computadores conectados à Internet em banda larga. Segundo Maria Helena, a Associação de Pais e Mestres (APM) de cada escola recebe uma verba para diversos gastos, entre eles, a manutenção dos computadores e da rede elétrica. O valor vai passar de R$ 5,40 por aluno para R$ 9,60, pagos em três parcelas ao ano. Mas as escolas não conseguem estabelecer contratos de manutenção principalmente as que estão na periferia, diz a secretária.
No vídeo acima, a secretária explica que a pasta abriu licitação para firmar um contrato terceirizado dos serviços de manutenção das máquinas, conectividade e disponibilização de uma pessoa que permaneça na sala de informática em tempo integral. A terceirização deve atingir 500 escolas de Ensino Médio na cidade de São Paulo e Grande São Paulo em caráter experimental – a rede pública tem mais de 6 mil escolas.
"Ao mesmo tempo, nós estamos testando este modelo com um outro em que nós transferimos um recurso específico para a escola fazer um contrato de manutenção. Mas as escolas estão tendo dificuldade. Muitas já tem contratos feitos por elas mesmas e que não tem funcionado. Estamos buscando alternativas: demos mais autonomia para a escola, com mais recursos para terem um contrato direto da APM com uma empresa e estamos em processo de licitação para a secretaria contratar uma empresa especializada para cuidar de 500 escolas simultaneamente."
Um estudo de parceria com a Secretaria de Gestão para a implementação nas escolas da infra-estrutura e manutenção realizada nos Telecentros também deve ser feito, além de possíveis alianças com o poder público municipal das cidades do interior paulista.As informações foram fornecidas pela secretária no evento de lançamento do Instituto para o Desenvolvimento e a Inovação Educativa –
Idie, em 5 de março. O instituto é fruto de um convênio entre a Fundação Telefônica e a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e pretende atuar na assessoria, apoio técnico, capacitação e outras intervenções e projetos voltados à temática de novas tecnologias na Educação.